É na noite que os cegos melhor vêem. pousadas as pálpebras para dentro, a visão expande-se e enaltece-se como vidro florentino. Percorro então os momentos em que o tempo me merece a vista e ainda ouço ecos de pessoas. Ou de pedras. É essa a paisagem que me interessa e não a do mundo que sempre desprezo com o meu melhor sorriso...
E nestes momentos percebo que não há razão para me sumir, tão pequenina, entre os importantes.
Reúno a pulso o que me resta e vejo tanto... Vejo esta liberdade de gritar por dentro e de me pôr em pranto, sem que o menor gesto em mim se aperceba. Ou este abraço da noite, que me fere como o relento, mas me limpa os olhos quando não vejo.
Serenada eu, a lâmpada cansada tremeluz e a noite fecha-se de silêncios que só um vento leve vem quebrar, em rajadas nuas, tão crispadas (!) como se anunciassem Dezembro. Cá dentro um lago quente no leito que me acolhe. Lá fora o rigor flagela tudo. Não sei como este conforto único não me deixa cair no sono. Ainda me detêm as coisas comesinhas... Ainda me falta mais um pouco da tua voz, para pousar nos intervalos da minha.
Saber aplicar um ramo de liberdade às coisas mais simples... Fazer tudo, como se fosse acção rara e sublime....
Amanhã o tempo vem, tão cedo, trazer a hora de voltar ao mundo, mas eu sei que ganhei hoje em suavidade, poção que baste para docemente amainar tudo o que reste.
E nestes momentos percebo que não há razão para me sumir, tão pequenina, entre os importantes.
Reúno a pulso o que me resta e vejo tanto... Vejo esta liberdade de gritar por dentro e de me pôr em pranto, sem que o menor gesto em mim se aperceba. Ou este abraço da noite, que me fere como o relento, mas me limpa os olhos quando não vejo.
Serenada eu, a lâmpada cansada tremeluz e a noite fecha-se de silêncios que só um vento leve vem quebrar, em rajadas nuas, tão crispadas (!) como se anunciassem Dezembro. Cá dentro um lago quente no leito que me acolhe. Lá fora o rigor flagela tudo. Não sei como este conforto único não me deixa cair no sono. Ainda me detêm as coisas comesinhas... Ainda me falta mais um pouco da tua voz, para pousar nos intervalos da minha.
Saber aplicar um ramo de liberdade às coisas mais simples... Fazer tudo, como se fosse acção rara e sublime....
Amanhã o tempo vem, tão cedo, trazer a hora de voltar ao mundo, mas eu sei que ganhei hoje em suavidade, poção que baste para docemente amainar tudo o que reste.