mar
ao ver o mar
adivinho a chuva
como os bichos do campo
ou os velhos nas suas mãos calejadas
adivinho a inflexão das vozes
e estremeço no meu íntimo o que não
risca a fala e sinto
adivinho sombras
e penumbras
no mar à minha frente
como se este me olhasse
mas eu fosse já outra gente
de outro lugar
de outra história
sem a paternidade
de um narrador complacente...
os olhos enfraquecem, ficam
mais velhos e doídos
que a própria carne
não me olhes, mar, com
o olhar dos antigos
ante a estranheza da câmara
sabendo-se presos de alma
a uma eternidade futura
dulcifica se puderes a tua fronte
não para mim que já não sou gente
mas para que mostres ao mundo
o ar maravilhado e verde
que viram os navegadores de antes
como os bichos do campo
ou os velhos nas suas mãos calejadas
adivinho a inflexão das vozes
e estremeço no meu íntimo o que não
risca a fala e sinto
adivinho sombras
e penumbras
no mar à minha frente
como se este me olhasse
mas eu fosse já outra gente
de outro lugar
de outra história
sem a paternidade
de um narrador complacente...
os olhos enfraquecem, ficam
mais velhos e doídos
que a própria carne
não me olhes, mar, com
o olhar dos antigos
ante a estranheza da câmara
sabendo-se presos de alma
a uma eternidade futura
dulcifica se puderes a tua fronte
não para mim que já não sou gente
mas para que mostres ao mundo
o ar maravilhado e verde
que viram os navegadores de antes