
andei com o quarto no olhar, sem saber onde desenhar a porta. o quarto hoje é este esmalte em liga leve, permeável a todos os rostos. rendas na janela, um quarto novo, daqueles que usamos para os efémeros momentos de felicidade. entramos pelas frestas da noite, a cara lavada da noite entre estrelas despenhadas no papel de parede, uma luminescência súbita sobe ao olhar, tanto amor nas mãos cadentes, tanto astro em redor do ventre. deixemos o mundo escurecer em paz.
uma cortina de luar agita a noite e tudo tão uterinamente parado, o quarto azul está mudo, como as casas nas vésperas da morte já esperada. o sofá do canto mumifica a nossa ausência, estando nós sóbrios sob o quebra luz em volta do corpo. tudo que nos rodeia tem um aspecto cru nos seus contornos baços, tudo que nos rodeia convida ao contacto. texturas, tacteio como se à minha volta tudo fosse tacto, tocar-te, ser a mão bíblica que te salva, a espiga loura na minha boca, a palavra ainda imberbe, texturas, a tua pele lavra, nos meus dedos, caminhos. tocar-te e desenhar nas paredes o último leito, aquele que a morte não há-de partilhar, porque a morte não ama, só a morte não sabe amar. profanar-te, para além de todos os teus dogmas, cerzir a pele na minha boca e percorrer a tua escuridão, sensorialmente a sombra semeia trémulas vozes que não te obedecem. o quarto despe-se de luz, nada permanece a não ser o tacto. a escuridão agora engoliu-nos, já não me temes, sou eu, vês, aquela que te faz a cama mais íntima, no mais alto verso, agora já podes falar comigo, está escuro e eu não vejo a tua fome. este é o lugar da memória, por isso tudo é reciclável, até nós. buscas-me o sexo impetuosamente, a busca acontece do lado do ventre, as ancas plenas presas ao teu corpo, a tua beleza de mármore e o meu nome, não o dizes, apenas te adentras pela minha vida, expirando um prazer antigo que me sedimentas solto. e eu rio, remoinho por dentro a água lisa do meu leito e eu rio, deleite o riso e o amor, podíamos ser tudo isto, se não tivéssemos começado pelo lado errado da noite. as arestas inúteis e o quarto, nunca chegou a ter paredes. sinto que chegaste a meio da partida e nunca soubeste que não te foste... pois eu fico no sofá mumificada, a afagar o teu cabelo, à boca da noite, a noite cansada de acontecer como nós. tu não ficarás, tu és apenas o mensageiro, o amor é que é o hóspede, o viajante, o peregrino, vai, mensageiro, outras bocas esperam de ti a doce novidade do maduro trigo...
uma cortina de luar agita a noite e tudo tão uterinamente parado, o quarto azul está mudo, como as casas nas vésperas da morte já esperada. o sofá do canto mumifica a nossa ausência, estando nós sóbrios sob o quebra luz em volta do corpo. tudo que nos rodeia tem um aspecto cru nos seus contornos baços, tudo que nos rodeia convida ao contacto. texturas, tacteio como se à minha volta tudo fosse tacto, tocar-te, ser a mão bíblica que te salva, a espiga loura na minha boca, a palavra ainda imberbe, texturas, a tua pele lavra, nos meus dedos, caminhos. tocar-te e desenhar nas paredes o último leito, aquele que a morte não há-de partilhar, porque a morte não ama, só a morte não sabe amar. profanar-te, para além de todos os teus dogmas, cerzir a pele na minha boca e percorrer a tua escuridão, sensorialmente a sombra semeia trémulas vozes que não te obedecem. o quarto despe-se de luz, nada permanece a não ser o tacto. a escuridão agora engoliu-nos, já não me temes, sou eu, vês, aquela que te faz a cama mais íntima, no mais alto verso, agora já podes falar comigo, está escuro e eu não vejo a tua fome. este é o lugar da memória, por isso tudo é reciclável, até nós. buscas-me o sexo impetuosamente, a busca acontece do lado do ventre, as ancas plenas presas ao teu corpo, a tua beleza de mármore e o meu nome, não o dizes, apenas te adentras pela minha vida, expirando um prazer antigo que me sedimentas solto. e eu rio, remoinho por dentro a água lisa do meu leito e eu rio, deleite o riso e o amor, podíamos ser tudo isto, se não tivéssemos começado pelo lado errado da noite. as arestas inúteis e o quarto, nunca chegou a ter paredes. sinto que chegaste a meio da partida e nunca soubeste que não te foste... pois eu fico no sofá mumificada, a afagar o teu cabelo, à boca da noite, a noite cansada de acontecer como nós. tu não ficarás, tu és apenas o mensageiro, o amor é que é o hóspede, o viajante, o peregrino, vai, mensageiro, outras bocas esperam de ti a doce novidade do maduro trigo...