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tudo é tão simples no mundo das crianças. as cores são o que são, puras e quentes sem planos de melancolia... nas crianças não há lugares pardacentos e só o sol as habita. o dia fecha-nos em nós, contidos e intensos nos nossos abrigos, como se a ventania surda nos remetesse ainda mais dentro de nós mesmos, o que na vida temos de cores tardias. mas não nos deixemos ir na tempestade, na cor difusa do horizonte, pois são estes os dias em que paramos para ser gente. deixa o tempo ficar, que ele se acrescente a este rumor das janelas, a esta chuva que não se vê, nem se sente, ao perfil evanescente dos prédios, deixa tudo a prumo no presente, talvez hoje possamos estar mais perto, tu e eu, das cores primevas, dos verbos primeiros de um poema verde feito ao sol nascente.