quinta-feira, 29 de novembro de 2007

sinais


hoje vi sete pombas a voar em formação, numa perfeita letra v. vi nuvens recheadas de um rosa matinal quase papoila. vi o espelho dormente, o rio temperado de luz, a água lisa nos recônditos ancoradouros das margens, vi o recato das traineiras, vi os barcos de passagem , mais um barco do amor em manutenção, veleiros parados, marina de sonhos a oscilar em terra, o sol ancorado nos meus olhos... achei que o mundo de manhã, nas minhas mãos mal despertas, depois de uma noite de incertezas tão incertas, de ternura tão magoada, de tão tentadora tentação da tua mão... era um mundo demasiado belo para ser só para mim... talvez sozinha não faça sentido sentir-me assim, calma e feliz. meu amor. que te hei-de dizer? como te posso virar as costas, com tanta beleza na retina, tanto que retenho e não dou, e tu, meu amor, tu ainda não conheces o fundo sereno das águas. eu espero por ti. Vês? vou travar a corrente que me leva, suavemente a farei esperar por ti. um dia também alcançarás esta paz de simplesmente ir, sem mais questões, apenas fruir o que o mundo nos dispõe sob o olhar. a nossos pés, a paz. mas eu travo a minha marcha que ia célere, para onde tudo é sossego e doce fruto. se quiseres, eu espero-te e dou-te a mão, até tu também conheceres o caminho para as águas que vão... saiba eu reconhecer sem confundir os teus sinais e os sulcos que terei gravado no fundo da tua mão...!