quando te ouço
parece que vem da terra uma voz em coro
uníssono cântico de flores de Maio
e de mosto do vinho novo
parece que o céu se gita num
voo de aves
alçado lume em busca de um lugar
nas fragas mais duras da minha página
quando te ouço parece que tudo
se move e se aquieta nas palavras
içamos uma a uma as vontades
tolhidas num lago de chamas altas
salvamo-nos do mundo
dois cisnes perdidos em busca
de um lugar sem fumo, um lago hóspito
e fundo onde fundear
juntos os finos torsos
quando te ouço, estabeleço um traço
uma bicectriz da voz ao desejo
e sinto que estou a mergulhar nos teus olhos
onde enfim te encontro
na simetria de um beijo...
boa noite, meu zéfiro...