macio o teu rosto de chumbo
os olhos cor de malva
amáveis como lírios do paraíso
a cabeça de bronze empreende
a alteridade dos justos
apesar dos pulsos que trazes presos
arestas viradas contra o mundo
os teus braços são lianas de uma
selva adormecida e o teu tronco
uma piroga funda escavada no mistério
dos bosques profundos
.
lápide aberta na noite o teu beijo
faz escuro lá fora é a hora do deus mudo
na cabana o luar é um velho faroleiro
habituado a iluminar o mar dos ausentes
vens pela berma do corpo na leira que me sentes
são juncos os teus dedos e o vento os move
é nesta lâmina de punhal fundo
que a vontade nos toma de uma fuga
entre o corpo e o mundo