estas arestas do meu corpo
ossos em riste, membros lassos
e invisíveis no seu labor de serpentes
são setas sem rumo que desprendo
rosas de espinhos inflexíveis
quando perco o norte ao sonho
e o mundo me entontece de receios
busco então os quatro caminhos
na rumagem da solidão:
o silêncio, a prece,
a ascese e uma espécie de
tardia contemplação
comigo no rio me detenho
espero-te à beira da minha sombra
rente aos juncos na fonte dos
amores fogosos
não virás tão cedo às ináguas
do meu corpo
às rendas da minha paixão
compreendo a demora
o impulso que te reentra a mão
e fico assim a pentear a tarde
entre a sombra das oliveiras
e o assobio que veio mais cedo
dum seco vento suão...