quinta-feira, 9 de agosto de 2007

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falamos do que sentimos
coisas inauditas como tarde
e estio e estória
e a geometria dos ossos
por exemplo
os dedos e a posse
reclamamos palavras poupadas
libertamos sílabas tensas
como sal e sal-sa e
su-mo se-men-te
e so-pro e aos meus ouvidos
acoore a música de um lamento
uma promessa segredada
em sibilina língua
mentimos se calamos
quero a tua voz e o sonho
palavras leves
e no meu corpo cresce
uma onda nova
a nova febre que fere
e crava fundo a pele
em espuma a tarde
apetece
tu segredas o inaudível
e a tarde despe-se...