um círio na noite que já fomos
a frágil espuma de uma estrela ao longe
quando tão perto nos temos
ombreando a palavra e o desejo
em represa de ânsia
a espera a bombear o sangue
e a demora na desértica indiferença
ah, amor que tanto me prendes
nesta chuva mansa dos teus dedos
quero a tua boca e o teu vasto beijo
acosta-me à vela
vela-me o corpo com desvelo
que me revele o quanto o teu zelo
é louco e a nossa vida pouco
para este secreto tempo
de um olhar tão ténue, tão insuspeito
que às vezes duvido da própria incerteza
de ter-te tão dentro...