sexta-feira, 17 de agosto de 2007

embriagar a noite


neste silêncio de razões
fala mais alto a nortada
a cidade citiada agita e geme
as cordas dos estendais
as presianas tremem despenteadas
num sono que não vem jamais
somos dois a subir a noite
até à sua obscura morada
não te apagarei as estrelas
sem antes te iluminar a estrada
quero que venhas pela beira do rio
e sintas a fresca liberdade
entalhada nas ramagens
quero que sintas por mim a noite
e a frágil lua almofadada
que cubras o meu sono
de camélias inseparáveis
quero que venhas com o teu passo
instável
trazer a calmaria ao nosso ninho
sossega o vento, amor
cala os teus velhos pregaminhos
que juntos enlançamos a noite
pela sua hermética cintura
ao dançar um sonho apaixonado
e uma valsa rubra de ternura
seremos dois a embriagar a noite
até a noite nos saciar a sede pura