quinta-feira, 2 de agosto de 2007

... ainda

estou descalça na noite
enredei-me nos troncos e lianas
já não escapo à noite que me chama
os pés em sangue as mãos profanas
erosão de rosas nos meus seios
botões que te ofusco
na cegueira do prazer
avanço-me no teu corpo
e aos poucos esqueço
os pés lentos e rotos a ferida feia
tacteio o escuro
e meigo bosque do teu rosto
falas e eu ouço, mas é pouco
o lume em que vacilas
sem a tua fala ao meu ouvido
não enrubesço assim o teu mundo
falaste-me (quero mais um sustenido)
e foi fatal ouvir-te
agora o teu corpo será
a clareira da escuridão em
que te mergulho até que o dia
nos imprima na pele
os dedos, as línguas, a saliva
o suor e a seiva do amplo fruto
B.e.i.j.o.-.t.e. .m.u.i.t.o.