quarta-feira, 1 de agosto de 2007

alcina

é esta a hora da palavra
meia noite e um silêncio
de águas
mãos atentas na orla
da fala
nada se diz, tudo sai
de um sentido único
da noite
a noite branca que só se abre
à límpida entrega
estás aí
sobrevoas-me na alba
acendes a trégua
numa natividade possível
entre nós este lume
nos olhos, a lâmina
nas pálpebras
para olhar de frente
a fuga do sono
que apenas dormiria
no teu olhar
sossegadamente louco
apenas podia rejubilar o corpo
no teu ventre masculino
apenas no útero da tua palavra
eu me aconchego
embrião nascido cedo
para a terra do teu corpo
e eu antes de te nascer
repito-me
alcina

como um balouço