quarta-feira, 25 de julho de 2007

fuga em mim

esta noite é de marfim
e eu sou matéria e massa
volume sobranceiro ao pé de ti
esta noite é uma prece aberta
e eu quero que venhas em redor
cercar-me o centro
do prazer, assim...
quando flui tanto vento
palas veias...
.
talvez tu venhas e o vento
resguarde o excesso de silêncio
basta que os nossos corpos desertos
se encham de areias sem fim
e os corcéis nos galopem entre
dunas e rins

esta noite nascerá um novo deus
basta que eu corpo sagrado
e tu minha doce cruz
nós ambos cravejadas formas
de rápidos membros nus

esta noite vou, dizes-me tu
e eu ouço já dentro de mim
teu cicio rouco que seduz

esta noite acabarás em mim
na neve última da busca
esta noite ainda arriscarás
a entrega muda
e o meu corpo anotará as marcas
da tua fuga, uma a uma
Boa noite!