pelas trindades às vezes vejo flores
no regaço ebúrneo das palavras
a orla do vestido lume em festa
uma rubra dança lesta no olhar
.
na cidade tudo é recolhimento
desertos urbanos sem sinais de fogo
morre entre os prédios um sol pegajoso
e os corpos inquietos fecham os estores
nos campos nasce um colar de fogo
a terra lança à noite um véu de luz
ouvem-se os sinos ao longe num murmúrio
é tempo de apagar o dia e regressar
.
nas pessoas o som é um abrigo
estremecem porém os seus recatos
é tempo de confessar à natureza
a raiz oculta dos seus ocultos passos
.
só nas igrejas o silêncio é magnífico
e os círios a arder nos amplos nichos
são sombras já passadas, luzes velhas
lembram ladaínhas penitências e castigos
.
hoje os crepúsculos já não têm sinos
mas comemoram os novos esplendores
como se o mundo tivesse renascido
sem pecados de amor sem pecadores
.
no regaço ebúrneo das palavras
a orla do vestido lume em festa
uma rubra dança lesta no olhar
.
na cidade tudo é recolhimento
desertos urbanos sem sinais de fogo
morre entre os prédios um sol pegajoso
e os corpos inquietos fecham os estores
nos campos nasce um colar de fogo
a terra lança à noite um véu de luz
ouvem-se os sinos ao longe num murmúrio
é tempo de apagar o dia e regressar
.
nas pessoas o som é um abrigo
estremecem porém os seus recatos
é tempo de confessar à natureza
a raiz oculta dos seus ocultos passos
.
só nas igrejas o silêncio é magnífico
e os círios a arder nos amplos nichos
são sombras já passadas, luzes velhas
lembram ladaínhas penitências e castigos
.
hoje os crepúsculos já não têm sinos
mas comemoram os novos esplendores
como se o mundo tivesse renascido
sem pecados de amor sem pecadores
.