convoco os deuses
que me venham falar de outras rosas
outras telas de luar outras tiaras
outros mundos a vir nas novas eras
que venham em seu séquito real
obnubilar-me a memória
aspergir-me de água do Letes
e de um perfume de neve
inerte
para me esquecer de vez a fala
a palavra a voz a sentinela
aprender o silêncio e saborear
o silvo, o ciciar de serpente
a ambrósia de luz , eva lunar
embriagada de ti - secretamente -
no que só o silêncio nos pode dar
que me venham falar de outras rosas
outras telas de luar outras tiaras
outros mundos a vir nas novas eras
que venham em seu séquito real
obnubilar-me a memória
aspergir-me de água do Letes
e de um perfume de neve
inerte
para me esquecer de vez a fala
a palavra a voz a sentinela
aprender o silêncio e saborear
o silvo, o ciciar de serpente
a ambrósia de luz , eva lunar
embriagada de ti - secretamente -
no que só o silêncio nos pode dar
convoco os deuses para não te convocar
convoco-me para me silenciar de ti seara antiga
e esmagar teu corpo sob os lábios suicidas
mas tudo que me ocorre dizer
é que esta é apenas mais uma noite frágil
os deuses são falsos
não existem no lugar do coração
e as tuas pegadas são traços divinos
mais fundos
do que os seus trágicos desígnios!
.
Boa noite!