sábado, 10 de março de 2007

terra, água, fogo


sobre as sobras da razão
estirpo a raiz do teu corpo
persisto como louca neste luto
de te rodear os ombros e os lábios
com o xaile do meu rosto
.
sobre as sobras do teu corpo
eu espelho me debruço
bebo-te a pele canto-te a noite
rasgo manhãs de encontro ao dia
e é sempre o sol o que te ouço
entre sombras penumbras e ombrias
.
sobre mim diria pouco
a pele máscara que mais me esconda
o corpo pede véus que mais me tapem

a voz sem diapasão que a conserte
indaga no lugar das estrelas
da palavra mais alta que te chegue
.
a terra arde logo cedo
e a neve em calhando até derrete
águas leves lavas e profundas
palavras que rasgam penedos
cascatas sem pressa de beber
numa só todas as sedes
e de afogar num só todos os medos
.