terça-feira, 6 de março de 2007

seiva, meu amor


Jean - Jacques Henner "Femme nue debout"


Seiva, meu amor sei a sede que sobe acesa no soalho em que me deitas sei os seios escavados em colinas siamesas se te adentras língua em riste a sede cede se me beijas a poente ou a nascente na malva rosa do meu ventre a tarde aquece nos teus dedos e esta seiva escorre em mosto se te toco e se te busco na cratera fulva e bela onde nasce o céu do corpo. sei o suor sabendo a sal a saliência das veias no pulsar do verbo amar sei palpitantes verdades sobre as razões do teu corpo jubilosas saliências quando me buscas nas tardes debruçados no silêncio. sei nadar na tua alma por entre corais e despojos deslizo pelo teu corpo na curvatura do dorso na raiz do teu pescoço em beijos ardentes moços em forma de ânfora me movo na flauta-pã do desejo. encontras-me o epicentro e tomas, meu amor, em setas o teu ritual primevo e as tuas ancas são sábias são searas ondulantes navegando com o vento. há um rio que nos surpreende na travessia ondeante páras, vais mais diante a queda de água ascendente o moinho cego draga o areal surpreende o trinado d'aves cessa quando se acende o poente e a seiva, amor, assim semeia as entranhas com serpentes de Eva.