terça-feira, 6 de março de 2007

Borboleta de Inverno


Borboleta de Inverno,
Que buscas tu?
Que nova obscura me trazes,
que raio de luz?
Porque passaste na escuridão das nuvens
em teu descuidado esvoaçar de breves núpcias?
Como resistes num dia assim,
cinzento, volátil, pardacento,
sem pólen nos prédios verticais,
tão lisos, tão indiferentes,
sem flores nos canteiros vazios, frágil, ágil,
sem terra nem doce aragem?
Desenhas um círculo
no areal da memória
e na margem do meu peito emerge nova flora
nova crispação de dedos e o poema vem,
esvoaçar a medo nas tuas asas de feltro.
Contas-me o segredo de existir
alheia ao tempo,
e desapareces tropeçando no vento,
na tua luz no teu alento,
na brevidade da (tua) vida.
Borboleta de Inverno,
o que te faz tão atrevida?
.
Uma boa tarde!
.