abraço-te no poema que mais pele já não tenho
sou como as mulheres nativas de um mundo que não conheces
ando descalça na vida e bebo a sede no ventre
de noite abraço o meu corpo - de dia só faço preces
amasso todas as razões com o suor e o silêncio
peneiro, peneiro a alma, peneiro o tempo e as dores
os afagos desta selva uma selva de areia ou de cimento,
sou das árvores que resistem
sou como as mulheres nativas de um mundo que não conheces
ando descalça na vida e bebo a sede no ventre
de noite abraço o meu corpo - de dia só faço preces
amasso todas as razões com o suor e o silêncio
peneiro, peneiro a alma, peneiro o tempo e as dores
os afagos desta selva uma selva de areia ou de cimento,
sou das árvores que resistem
tenho ramos tenho abraços tenho para ti sementes
tenho a esperança em cada hora
tenho um filão de tormento uma mina onde mergulho
para te achar os pensamentos e sempre mais me enriqueço
ouro sei do teu olhar extrair a medo, e se d'ouro não
for que baste, mais te deixo o meu regaço e o meu seio,
menino meu que quero moço,
saia travessa agitar-te o corpo neste verso
é a tarde que entardece e eu que a bebo pouco a pouco
quero rezar mais esta prece, antes de ir quero dizer-te
não és um deus no altar dos anjos,
tenho um filão de tormento uma mina onde mergulho
para te achar os pensamentos e sempre mais me enriqueço
ouro sei do teu olhar extrair a medo, e se d'ouro não
for que baste, mais te deixo o meu regaço e o meu seio,
menino meu que quero moço,
saia travessa agitar-te o corpo neste verso
é a tarde que entardece e eu que a bebo pouco a pouco
quero rezar mais esta prece, antes de ir quero dizer-te
não és um deus no altar dos anjos,
nem filho novo que o seio me sugue
ou se agarre às minhas vestes
sou mulher nativa, rezo sempre com o corpo
e só o corpo me deves.
sou mulher nativa, rezo sempre com o corpo
e só o corpo me deves.
Uma boa tarde!