em busca do sol invento flores
trepadeiras, viçosas, louras
a primavera das palavras ainda
ao relento de uma noite longa
.
restos de geada que molham
as palavras, rosas orvalhadas de ontem
que o tempo há-de amassar
.
e hoje acendo o sol daqui como vestal de brancas vestes
e brando olhar que te amornece o dia
.
daqui a palavra sempre apetece
e o aqui é um lugar relapso
esquecidas pelos deuses
todas as referências que nos abraçam
.
talvez o logo no nosso dicionário
signifique nunca e talvez o sempre
queira só dizer mais tarde,
querendo adiar qualquer presente
.
e que sabemos nós do tempo?
será presente o momento da escrita
e sempre futuro o do amor?
.
o tempo do discurso amoroso
será aquele em que te ouço, em que
me ouves?
.
e fora das palavras
o amor é uma elipse preenchida nos
silêncios e nos passos das flores?
.
tudo no tempo é relativo
como relativo a um olhar é sempre o amor
como relativa é a vontade avulsa
de no amor colher amores
.
Bom dia, sendo já boa tarde!
*