quinta-feira, 1 de março de 2007

ramo de Primavera


Toma um raminho de Primavera, trago-to da minha noite, arrancado da velha macieira da escola, um raminho mágico, porque banhado pelo luar. Tal como eu venho hoje, banhada pelo luar, enfeitiçada, o coração leve, vestida de Primavera, com vontade de te pegar na mãos para as cobrir de beijos, ou para te inventar uma sina de novo, ou te arrastar para uma dança da chuva frente ao bloco de cimento onde vivo... Os dias já são maiores, a aragem da noite é uma valsa fresca, ternamente macia, como carícia dos próprios deuses e eu trago nas mãos a poeira de todos os astros, o lume ardendo nas veias, tão brandamente lento o fluir que o gesto é de hipnose. Não há agora dúvidas que caminho sobre a água no prodigioso apartar dos mundos, abre-te, caverna da minha perdição, quero achar ali o meu amor. Hoje fico contigo até a manhã nos chegar por dentro, seja onde for que a maré nos for alcançar.