terça-feira, 27 de março de 2007

ardem sóis no meu olhar


ardem sóis no meu olhar
como nos verdes pinhais
arde a chuva, chama o vento
chora a alma cativeira
de tardio apaziguamento

moram olhos nos meus olhos
estrelas brilham no meu seio
nutrem-se algas do meu peito
espinhos cravam-se de anseios
cavalos são - crinas ao vento

mora o povo rijo donde venho
o chicote que os fez plebeus
mora a morte que veio cedo
mora o luto, mora o nevoeiro
mora a esperança e a luz na bruma
que nos cumpre e nos moldou

vivem palmas de deuses renascidos
doces suas mãos nos meus sentidos
vive o sangue dos homens derramados
nas batalhas perdidas desta vida

vive um unicórnio escondido e uma pluma
com que arranco em meu caminho
as urzes, os abismos, os lobos da amargura
e a insofismável inconsequência do destino



Bom dia, com a ajuda do sol de dentro!