sábado, 1 de dezembro de 2007

inequívoca flor



meu amor, já era tempo
de timbrar o tempo
de certificar a certa sapiência
que colho da tua fronte
.
tu és a origem, o nascimento
em cada manhã a gestação,
o sôfrego alimento
.
em cada alba me cresces
e me adentras
como uma carícia interior
uma saliência
uma cor quente que me centra
na cálida vivência do amor
na clara cedência do teu corpo
.
entreolhadamente
em cada manhã tenho para ti
esta inequívoca flor...
.
manhã natalícia hoje
de um tempo que nos ficou esquecido
no brilho do último presente
.
nesta árvore que hoje acendo
arde uma vela
uma chama que sustento
pelo muito que me és
pelo lar que é o teu peito
e a tua pena
pelo eu que me frequentas
faço de ti a família do meu coração
a família profunda que se tem na vida
quando todos os outros se vão
e nós ficamos sós para o mundo
.
aí apareces tu
aí me acodes num doce submundo
nesse instante e em todos
tu és-me tudo
.
por isso, meu amor, nas manhãs
de exílio e de deserto que vierem
porque virão, por certo,
quero que saibas
que o meu abraço é rio aberto
e a minha mão um arco
de onde te disparo a fogosa arte
de amar o lume do teu corpo
e a tranquila estância da tua
árvore, a palavra cirial
o silêncio que te arde...
.


bom dia para ti, querido amor...