tal como as nuvens que passeiam pela ponte
assim eu, neste fim de dia cálido e proficiente
ergo os olhos para dentro do azul
um azul de alumínio incandescente
e proclamo os meus sentidos
na captação rosa do momento
vejo a clara circunspecção da natureza
a cidade nua no poente - os montes da outra banda
esboroados na margem mesmo em frente
e este rio tamanho e insolente que me flanqueia
e circula nos meus olhos de mãos dadas com o tempo
e sinto agora e aqui tão somente
a nostalgia das águas inundadas
talvez ontem
a pintura incompleta do meu corpo
talvez sempre
a tremenda solidão de um sol cadente
que nos escurece, nos clarifica e nos preenche
como se a noite fosse outra coisa
a luz que sendo nossa não nos pertence...