sexta-feira, 23 de novembro de 2007

ponte suspensa


suspensa venho, de coração a latejar à boca dos olhos. só olho, anexo tudo que assumo. a ponte desaparece no desconhecido, em baixo o rio também enegrecido recebe os ocasionais beijos do sol que as nuvens deixam passar e eu nesta manhã que me nasceu cedo venho a bordejar a rotina, a acelerar o tempo, para que me sobre para ti a fala e um naco de presente. sempre o sol no meu rosto, de frente, este calor carícia das tuas mãos ainda de ontem... a estrada tira lenta, avança carro a carro, metro a metro e a música invade o habitáculo quente. desaguo na estrada onde livre o carro se despenha para o rio.

depois de repente esta bruma imensa a embrulhar o rio, como se me quisesses dizer que te adensas pela manhã. começo o meu dia em todas as partículas de oxigénio, cada manhã é uma lantejoula nos meus olhos, caminho-te irreversível, porque há rios cujos cursos são eternos, inamovíveis leitos vivemos juntos, rasamos a noite pela pele e o sonho pelo sangue, meu amor, meu amor, é manhã de novo e o dia suspende o encontro, como a ponte pela bruma o seu contorno.

flores para ti, meu amor!