domingo, 18 de novembro de 2007

meu amor

aperto a tua imagem no fundo dos olhos, um punhado de palavras que andei a arrecadar nas praias, algumas trouxe que podiam ser pedras e não as quero, as praias até eram talvez desertos que nunca foram teus. um destes dias, viajo só direitinha ao teu coração e ensurdeço as palavras todas, a não ser as que suspiras quando eu quero ouvi-las...

a minha alegria está aquém de todas as dores, a minha alegria vive de pequenos, pequeníssimos grãos que vou guardado e joeiro, para lhes determinar o ouro. a minha alegria faz-se dos grãos todos, até daqueles que nada têm, a não ser silêncio puro.

meu amor. todas as coisas do mundo deviam começar e acabar nestas palavras, duas apenas - que interessam as outras? - parecem dizer só "meu amor", mas dizem tudo - nomeiam, chamam, afloram, afagam, e querem dizer tanto... meu amor. Dizem também ama-me, meu amor, dizem espero-te meu amor, espera-me, eis o mundo que és, eis o que somos. meu amor. o princípio do sonho. a intimidade, o lugar risonho - meu amor - e nada que mais te diga tem tanta fragrância como este luminoso fervor.
meu amor a vida basta-me, descubro-me serena a viver descuidada de mais cuidados. apetece-me o sono, porque a vida me entranhou, se me entranhou e soube vivê-la. e é isso que te quero dar, o cansaço dos dias. sim, quero que te embrenhes em coisas delicadas e distantes do teu pensamento, como joeirar areia, reunir herbários de folhas tomadas pelo vento, ou algo assim inconsequente e tão necessário, para que te esqueças do tempo, em cada minúcia do teu olhar. extenua-te e depois, reunimo-nos num mesmo sono resplandecente e honesto porque o merecemos. meu amor. o pouco que te dou hoje, é o muito que para mim tenho: o pano branco do sono.
dorme bem, querido...