domingo, 18 de novembro de 2007

confiar

de todas as vezes que vier
a voz do amor compor a madrugada
saberei confiar a nu na pedra
nos murmúrios secos na tapada

com fiar, fiar contigo as rosas e as certezas
fiar palavras dias e noites à fio por vezes mágoas
desfiar rosários rasos de lume e lágrimas
sim, aprendi a confiar na pureza das palavras

e hoje que o mundo se fez frio e nada arde
busca em mim o silêncio e a verdade
abeira a tua fronte dos meus lábios
e recebe a noite e a memória
a estrela a ilha a nave e o astrolábio

retomaremos juntos o rumo da aurora
neste navio inerte que nos parte
este é o tempo do mar o tempo certo
o tempo mais perto de amar-te...