coleante como hera
a serpente anexa o tronco
enrola o seu corpo
na haste madura
altaneiro e belo o tronco
vacila, estremece
na haste que se empertiga
como tamarinha
pronta a comer
a a carne vinga
serpente e deserto
distantes reflexos
de um modo de ser
emerge na pele a profunda dor
como um modo indolente
de te querer
assim se tece o desejo
em fibras de areia presas
nos dedos
na arena incendiada
desenha-se a tarde viril
do mês de Setembro
uma clareira incerta
tu entras no círculo
a hera deserta
envolve o teu corpo
em sal e em ervas
alimentas-te no seio
de um cacto viçoso
passa em nossos corpos
o viperino dente da paixão em flor
da floresta em volta
vem um pio surdo, um som de doer
são os nós da hera envoltos
em nós gemidos de querer
mais perto e mais forte
a serpente é uma descida profunda
aos mistérios ondeantes
de um prazer silente
aconteceu assim hoje
quando pensei em ti
de repente o deserto
e a hera, a nudez da serpente
e tu, como se fosse Primavera
num quadro de Botticelli
beijosssssssss