a vida amarga-me
a vida agulha-me os olhos por onde passo
a vida ceifa-me à vida
como uma semente à espiga
a vida às vezes embrulha-me numa manta tão fria
que só me resta apetecer o frio
a vida dá-me o que me tira
quero tão pouca água desse poço
que abunda na vida
uma palavra, um grito igual ao meu
irreverente e belo
um bilhete para o paraíso (sei onde fica)
a vida é uma ânfora cheia,
mas salubre
a vida dá-me o fogo mas traz a chuva
a vida deu-me luz que não me aquece
a vida deu-me um amor imerso
não o sei emergir
a vida é esta sementeira
tão agreste que causa espanto
e enternece
o sorriso das rosas rubras que me deste...
obrigada...