quinta-feira, 16 de agosto de 2007

medi(a)ção





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podíamos medir o brilho das estrelas
pelo fogo sublime dos poetas
duas ou três palavras violetas
nascem na húmida relva
de uma boca apaixonada
e a terra treme alvoroçada
pela ternura expressa no silêncio

podíamos medir a distância entre as estrelas
pela saudade alquebrada
entre duas distantes janelas
rasgamos o céu do mês de Agosto
para nos enamorarmos entre
elas

eu, repara bem, sou a penumbra que te fala
e tu, meu astro, és solidão que me encontra
jamais duas estrelas se entregam
a não ser na luz dos seus cílios
que no vasto azul se propagam

podíamos pintar o brilho das estrelas
com as palavras que ainda não dissemos