não existe ponto de fuga
nos lugares abertos
a não ser para o céu ou para o deserto
não existe clausura no inverso da pele
que te protege
toda a liberdade nasce
da clara invidência
de calabouços e prisões
ignora a tua pópria pele
celebra-te
onde não vires grilhetas
vê a flor alucinante da existência
inala o que puderes da liberdade
vê que a paixão prende a voz
e prende o tempo como a trepadeira se prende
ao tronco que a recebe no seu corpo
por isso este claustro é uma passagem
no labirinto de espelhos
dos teus olhos claros
eu sou a fuga, tu és o outro lado
o amor estará sempre
a meio dos lábios
e neste cerceio
nada nos poderá circuncidar a palavra
pelo seu caule de aço
e este arco tão profundo é um pilar
que eu e tu, cimento de amor, empinamos para o céu
em finíssimas lajes de pedra
todo o tempo que espera a mundo
não sobrará para estreitar a argamassa
deixa a medição do arco para o tempo
ou para o acaso
e tudo o que quiseres fazer
na prisão da tua pele fá-lo
tudo que quiseres calar
na prisão do meu abraço
será como uma flor que nasceu para dentro
nada que não faças ou não digas
abafa a canção escarlate com que docemente
noite após noite
te embalo
mas tudo que me apetecer dizer-te
passará além das grades e como
um lugar contíguo ao coração
o amor encontrará o eco do teu rasto
para o exercício feliz da liberdade
de amar-te
nos lugares abertos
a não ser para o céu ou para o deserto
não existe clausura no inverso da pele
que te protege
toda a liberdade nasce
da clara invidência
de calabouços e prisões
ignora a tua pópria pele
celebra-te
onde não vires grilhetas
vê a flor alucinante da existência
inala o que puderes da liberdade
vê que a paixão prende a voz
e prende o tempo como a trepadeira se prende
ao tronco que a recebe no seu corpo
por isso este claustro é uma passagem
no labirinto de espelhos
dos teus olhos claros
eu sou a fuga, tu és o outro lado
o amor estará sempre
a meio dos lábios
e neste cerceio
nada nos poderá circuncidar a palavra
pelo seu caule de aço
e este arco tão profundo é um pilar
que eu e tu, cimento de amor, empinamos para o céu
em finíssimas lajes de pedra
todo o tempo que espera a mundo
não sobrará para estreitar a argamassa
deixa a medição do arco para o tempo
ou para o acaso
e tudo o que quiseres fazer
na prisão da tua pele fá-lo
tudo que quiseres calar
na prisão do meu abraço
será como uma flor que nasceu para dentro
nada que não faças ou não digas
abafa a canção escarlate com que docemente
noite após noite
te embalo
mas tudo que me apetecer dizer-te
passará além das grades e como
um lugar contíguo ao coração
o amor encontrará o eco do teu rasto
para o exercício feliz da liberdade
de amar-te