quinta-feira, 16 de agosto de 2007

diálogos com o meu poeta

bebe deste mel e deste vinho
é sangue e suor de espinhos
é seiva e semântica de fascínio
por ti amor,
por quem és
laminar e declínio como um
solitário gladíolo
sisudo fruto de um carvalho destemido
e a terna flor que te conheço
desmaiada nos meus braços
em rendas reduzida aos meus desejos
e crepes suaves de míticos beijos
quando a noite nos reúne e a manhã
avança, e o dia não nos aparta
nem a tarde nos desesedenta...
gosto de ti por ti amor
por quem és, laminar e dócil
perto e distante
por todo o calor cortante que me mandas
e todo o gelo ardente das carícias
tudo em ti amor me acrescenta
as voltas que o corpo dá
nas nossas ternas campas

onde há mais vida e mais semente
que nas câmaras solenes
dos amantes que mais mester
no amor deram como homem e mulher

e foram lenda

em segredo estendo-te esta ânfora
que só a tua boca aflora
bebe-a com o mel e o vinho
da minha terna ciência
de paz mesmo na guerra

saber-te-á
a cânfora e a açafrão
especiarias das viagens que fiz
em busca do teu coração
encontra-o, como eu o encontrei
tão simples que é o coração do meu amor
bate comigo e com a lua
somos nós as marés
somos nós o quartzo que pulsa nos corpos
do amor
somos nós, eu e o teu coração, a luz que
faz dourar as parras
e as palavras dos poetas
somos nós, eu e o teu coração simples
que sabemos distender aluviões
conter cascatas e dispersar as tempestades
expandir o lume das tentações
somos nós o recolhimento que traz a chuva
a água que cura a pele em chaga
e resume a rosa a um lume por extinguir
somos nós, enfim, o deserto, a dádiva
a solidão no céu do amor
encontra o teu coração e saberás quem
leva a melhor.