como amantes anónimos no Jardim dos Prazeres,
como lápides rodeadas de flores do amanhecer
nós vamos com os ossos encerados
caminhando pelo beiral da existência
temerários e apócrifos condenados
a um profuso lapso de (in)consciência
pergunto-me por que nos tememos
nos dominamos e nos encarceramos
na asisada palavra mais presente
por que não me emprestas a tua mão
agora e logo, ou mais à frente
para que ta beije como se em louvor
dos gestos que de ardentes são amor
desdigo-me quando te digo a dor presente
a agonia da próxima fala que sobrevier
ao tímido atavio da nossa ausência
contradigo-me se te escapo entre os dedos
na areia que acumulo ao esperar-te
contraceno-me se te explico o que me
acodes em cada momento
pois não é a ti que o digo, mas a mim somente
pois não distingo já nesta difusa imprecisão
o meu ser do teu em cada novo isntante
falar-te docemente é afagar-me por dentro
sentir a minha pele é vislumbrar as impressões
digitais dos teus dedos proficientes
não vás pelo lado da morte se me buscares
vai à vida pela fonte onde eu te encho
ânfora do amor com água doce dentro
pois a sede que me trazes é sede de mascente
não se esgota no lençol onde corre profusamente
não me busques na morte onde eu nunca ando
vive-me na vida iridiscente, nas corridas palo areal
como bichos contentes
na medida das palavras sempre mais ferventes
na euforia do encontro, tão raro e invidente
mas busca-me viva, pois por ti viva serei eu sempre
como lápides rodeadas de flores do amanhecer
nós vamos com os ossos encerados
caminhando pelo beiral da existência
temerários e apócrifos condenados
a um profuso lapso de (in)consciência
pergunto-me por que nos tememos
nos dominamos e nos encarceramos
na asisada palavra mais presente
por que não me emprestas a tua mão
agora e logo, ou mais à frente
para que ta beije como se em louvor
dos gestos que de ardentes são amor
desdigo-me quando te digo a dor presente
a agonia da próxima fala que sobrevier
ao tímido atavio da nossa ausência
contradigo-me se te escapo entre os dedos
na areia que acumulo ao esperar-te
contraceno-me se te explico o que me
acodes em cada momento
pois não é a ti que o digo, mas a mim somente
pois não distingo já nesta difusa imprecisão
o meu ser do teu em cada novo isntante
falar-te docemente é afagar-me por dentro
sentir a minha pele é vislumbrar as impressões
digitais dos teus dedos proficientes
não vás pelo lado da morte se me buscares
vai à vida pela fonte onde eu te encho
ânfora do amor com água doce dentro
pois a sede que me trazes é sede de mascente
não se esgota no lençol onde corre profusamente
não me busques na morte onde eu nunca ando
vive-me na vida iridiscente, nas corridas palo areal
como bichos contentes
na medida das palavras sempre mais ferventes
na euforia do encontro, tão raro e invidente
mas busca-me viva, pois por ti viva serei eu sempre