devo ainda dizer-te que sou sensível tanto às palavras como aos gestos. vibro com cartas de amor, diques contidos e derramados, confissões. devo ainda dizer-te que gosto de datas e que anoto nas areias do deserto a nossa história, verso a verso, como se fizesse com ela um longo colar de grãos de areia. devo ainda dizer-te que nunca esperei que me aceitasses no teu mundo, e que aprecio gota a gota o perfume dessa dádiva. não te demores longe da minha boca, nem me desprendas dos olhos, receio nao saber onde fica o fururo. tenho os meus ouvidos afinados para a música da tua voz, e as minhas mãos crispadas na tua ausência. contigo a vida parece mais demorada nos mínimos gestos e momentos. tudo se demora no meu corpo se te penso. devo ainda dizer-te que me fazes pensar em coisas simples como madrugadas no rio, lagos com bruma e nenúfares, revoadas de pássaros ao fim do dia, roupa fresca e engomada, flores e papiros, cisnes, borboletas, unicórnios e violinos. é, gosto de pessoas que se associam às cordas do meu ser. faltava dizer-te que aprecio de ti qualquer gesto que, sabedor de mim, nos torna cúmplices do amor, mais e mais íntimo e profundo. e não sei bem se terei dito tudo.