segunda-feira, 30 de julho de 2007

veio o estio


veio o estio que tanto esperava
e variamente procurei na velha casa
as coisas que dizia nas varandas
quando a lua me enfeitiçava

já nas minhas mãos me corre um rio
que cresce e atropela as fragas
sinto enfim a paz das nuvens
na minha alma fresca renovada


já não amo a espera do passado
sou como uma pastora no meu prado
tudo é doce e breve neste xaile
de viver na margem fresca da saudade
como a pastora desta fábula
nada busco que me acenda a mágoa
ao viver na encosta verde dos
meus passos

mas nada me apressa na viagem
neste lugar de puro fermento
só me sobraram as palavras
para amassar as uvas e os ventos


à noite noivo as nuvens ao luar
e nelas me elevo como vela
na proa de cada novo momento
que vier no sorriso intermitente
de uma estrela perto do meu peito