a brisa no cais, esta manhã, tão cedo, oito horas e a brisa no cais, tão fresca... como dizer-te que comecei o meu dia em festa com a brisa mais fresca que a minha pele já sentiu, e a imaginar como é feliz o vagabundo que a recebia como eu, sem a pagar, um ar condicionado vindo do céu, como dizer-te que passei todo o dia com a brisa na pele, em estado de brisa, uma camisola sem costas, o meu corpo queimado ainda a receber a brisa e só me veio a desaparecer a frescura quando saí e soube que havia terra a arder, havia um sol gigantesco a crestar a pele, havia um excesso de tudo no olhar das pessoas, havia carros quase calcinados do cheiro a pneus, do cansaço, do asfalto em lume. isto até chegar e mergulhar num banho frio, deitar-me de janela aberta com o cortinado a ondear, à espera de voltar a sentir a mesma brisa. e chegou, tão fresca e renovadora como a desta manhã. imagina o que sentirá o meu vagabundo sob as estrelas?