um rio de barro
nuvens de cinza
a namorar a encosta
o declive adiado
a terra enxuta
e o sol é um cacto
a arder na secura
da manhã
não sei se estou
num barco
que me partiu
a meio da viagem
ou se a viagem sou eu
e ainda não parti
do cais do desejo
nutrimos sozinhos
as plantas que nutrimos
abeiramo-nos da manhã
com o pulso vazio
a mão ocorre casualmente
sem o gesto
o tempo que guardamos
transborda
para aquele rio
sem leito o rio de barro
o rio que é chama
e só nos cresce