deserta noite na floresta, o cheiro a pinho, a eucalipto e a giesta. os meus sentidos aspiram do mundo apenas o aromático silêncio. a memória acende a noite da serra, os animais acossados, a luminosa hera do olhar, as cobras encobertas, as silvas profusas, a lua entre as ramagens, alguma neblina na encosta.
´´
a noite traz-me tudo o que é sublime e impossível, impossível e sublime. a liberdade. a vida, a beleza a verdade, o amor em campo aberto.
´´
urbanos momentos de fuga a uma cidade que me apressa para o meu dever todas as manhãs e me empurra a fazer tudo depressa, mas me limita a velocidade a uns meros 5o km hora por causa de um radar oculto na pacata estrada ribeirinha.
´´
cada dia que passa a cidade enclausura-me um pouco mais. e eu desisto de lutar pelo sonho que me acresce. deixa. vou com as águas do Tejo, até ao fundo oceano, sempre à tona do azul celeste. na distância toda a possibilidade se anula. e toda a impossibilidade se tece.´
´´
preciso de tempo para pensar o tempo que me resta.