será hoje, será agora que a noite se devora por dentro, a noite é um ventre vazio rasgado, uma bátega negra e poderosa sobre os corpos suspensos. a noite e a morte dançam com os olhos abraçados a parábola do homem sem sonho. nós damos as mãos no escuro, estamos a salvo. vivemos a negativo numa fita magnética e a noite que nos entra pela veias é a dos banjos celestiais tocados num lugar claro e feliz, a meio caminho do amor que nos pulsa serenamente denso até sair. num lugar com um deserto a meio de uma cidade e uma cidade empinada numa torre e uma torre a tanger o céu das nossas bocas. será hoje, agora que tu me prendes pela cinta em quarto crescente, os dois corpos fetais desenhando no alvo linho lunar o claro perfil de uma meia-lua azul.