segunda-feira, 19 de março de 2007

vendaval


vento, o vento desagua no deserto
o vendaval vem vindo lesto
neste vendaval é que eu me existo
venha o vendaval vício secreto
em vagas de válvulas abertas
ah esta inconsciência de ser
o tumulto das areias sem saber
areias que arrastam rosas
rodopiam como veias
e todo o corpo me submergem
a valsa crepuscular tem de ser excelsa
por todos os velhos versos que o solo enterra
venha o vendaval escavar cavernas
venha a solidão a velha origem
virá assim a vida a vã fadiga
outro vendaval outras raízes
dunas tardes eremitas talvez rosas
.talvez a vida.

Bom fim de tarde!