domingo, 18 de março de 2007

palavras & aguarelas


foram anéis os meus cabelos rubros
anéis fragmentados, acetinados puros
nos meus anéis pousava o sol sem fazer ruído
vinham pombas brincar nos anéis de puro linho
e as ondas do mar da minha infância
mais acrescentavam luz e brilho à trança

um dia ao olhar os meus cabelos
deixei que o sol se me enleasse pelos dedos
e os meus cabelos anelantes belos
criaram laços que me enredaram nos teus

agora tenho um anel em cada dedo
e os meus cabelos sonham com as estrelas
vejo os anéis de Saturno leves e húmidos
rodas astrais nas mãos de um menino

os anéis que nos prendem ao sonho
são asas soltas
borboletas do infinito obscuro
formas de luz e cor que voam
sem outro préstimo que serem belas

assim as palavras sem rumo, anéis
entrelaçados por vezes sem sentido
palavras & aguarelas


obrigada pn