domingo, 4 de março de 2007

escrever na pele


escrevo a minha pele demorada em cada acento tónico do corpo

o meu amor é um estado permanente de puro arrojo

uma ligaçao vocal entre o que sinto e o que refracto

no veneno aceso ou fogo posto
um lugar inteiramente renovado e louco
como vagabundo das estrelas luto com o mundo extinto

reacendo contigo as estrelas apagadas e os astros em cinzas

mas tudo que digo não ouço, metaforizo
a pele pleonasticamente protegida de mim por mim
talvez não saibas como expresso a solidão
lida nas entrelinhas do amor - a fuga entre portas

sempre se te encontro, reúno a morte e o amor
um cenário a negativo ávido de cores

a sedução maior, entre nós é seda e sépia e cetim
esta dança arcaica do teu corpo que nasce mártir

e morre renascido à luz sem mim
talvez não saibas como dentro a seiva escorre

e fora a pele fragamentada te respira
podemos ser dois enquanto o vazio nos ampare
podemos até tropeçar na noite para sempre
mas um destes dias vem cercar a orla do meu tempo

como agora o corpo nos veste as palavras do prazer
depois será a paixão que nos planeia despidos

num só ser