domingo, 25 de março de 2007

red velvet


vestida vem a noite
colo de cetim braços de veludo
pulsos em redor de mim
num laço de fogo
e afago
a noite voa à minha volta

é um tapete oriental
perto do trilho das estrelas

e eu fico no centro do meu mundo
tudo me estreita e eu
sem saber o que a noite quer
tudo fora do seu lugar
a casa sem paredes as cadeiras sem espaldades
as horas em redor pulsam como ondas
veludo rubro impresso nas faces
o rubor das rosas nos meus braços
e vagares lacunas que o corpo busca
deserta voando sobre mim nada corresponde
e tudo que me responde pergunta

são ecos da noite de veludo
um toque de seda nos sentidos
e o meu corpo funde
vagabundo do teu o corpo parte
eu que sóbria me interponho entre
a sombra e o luar profundo
vestida de sono num sonho de marfim
não sei que tem hoje a noite que me reparte
e tanto me afasta de mim

.
Uma noite serena...