é tão tarde amor
e eu ainda te espero
madrugada e o teu olhar ainda me fere
este silêncio da casa de pedra, bebe
um trago desta paz da minha noite
no meu refúgio onde dantes te perdia
.
longas ausências de ti,
verões de cigarras
a saudade cantava a tarde inteira
e nós apartados de palavras
.
hoje permaneces nas pedras
como memória da construção do tempo
a casa tem as estacas dos teus dedos
a poesia das árvores que te plantei dentro
.
as tardes de escrita permanente
cartas proibidas mandadas pelo vento
os passeios da tarde no pinhal
a brisa tua no meu rosto o beijo
a águia vigilante lá no alto
de manhã as ébrias borboletas
.
meu amor, tu és a eira
aqui sempre a colheita a festa
a nossa sementeira, aqui te vinha sonhar
aqui te sonho entre as buganvílias e
as jovens palmeiras
o chorão, o plátano, tímidas árvores
que cresceram
com o teu nome na seiva
.
meu amor o teu olhar
no meu
gesta profunda de corpos
acorrentados
.
e o futuro
escorre-nos devagar
entre o tanto que nos damos
e o muito que já
nos doámos...
.
sonha comigo outra vez
se hoje não te bastou o tempo
porque
amanhã o dia passa-se entre
palavras e lábios
dentro
porque estou na casa do amor
que nos viu nascer
urgentes
há tanto tempo...
.