todo este sol e eu sem tempo
todo este sol nas mãos ardentes
obreiras de razões as minhas mãos
sentes? a pressa das mãos, os seus reflexos?
afloram a superfície da realidade e acendem
por onde passam as fogueiras
os fogachos, as cinzas dos lumes apagados
insistem, resistem, retomam, tomam
compromissos com a renovação do mundo
e nada responde ao lume dos meus dias
as minhas mãos apagam e escrevem, sinalizam
dobram o cabo das palavras, nadam ou ficam
presas no teu rosto, meu doce amor, a tua voz
que mal te ouço, encanta as ilhas todas em redor
e eu sem saber se a memória da pele
também cresce na geração espontânea do bem querer
e se tu e eu somos luzes ainda imberbes
ou luzernas encantadas que qualquer um bebe
como mortalhas suas para a vida em diante...
e eu consumida de ser lume assim para tantos frios
outros neste Inverno da nossa entrega amante...
e eu sem outra forma de dizer-te que te amo tanto...
incertos passos em que levo o dia o teu dorso
sobre mim navego sobre o teu olhar infante...
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