segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

diálogos ao vento


eu sei, meu amor,
não vale a pena perder tempo
não deixes o tempo ir
prende-o a ti a tempo de o prender
não deixes que as minhas águas
às vezes de curso incerto
(tão pouco me acho, tão ínfima sombra
neste deserto) não deixes, meu amor,
que os meus remos desbragados
mudem o rumo da tua foz, meu amor
meu amor, meu leito de todas as horas
minha moeda da sorte, meu barco de partir
minha nau de regressar
minha muralha contra o medo
meu moinho desta maré que morre tarde
e cedo nasce a teus pés, não deixes
prender-se o tempo no tempo
que já não é...
porque assim se existir o tempo
no tempo ainda dói
a palavra que nunca vem...