estamos num daquelas lugares que parecem púlpitos virados para uma audiência ausente, sendo na verdade confessionários que qualquer um ouve.
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mas são estes os lugares frágeis da nossa fala, aquela que evoco nestes momentos em que metáfora ou véu algum me prende o discurso. e esta noite falo-te com o coração na voz, sentes?
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quantos centímetros nos separam nestes próximos momentos? só sei que estás aqui comigo na encosta do meu peito e que falamos de coisas simples, como o movimento aparente das estrelas ou as formas mais evidentes da simplicidade, e que nestes momentos as sombras esbatem-se, o mundo pára lá fora e apenas os corações batem, as mãos se prendem sem pressa de partir.
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A noite pode ser imensa, se ficares por aqui. podemos até afundar-nos em ternura, em silêncios de flores, beber chá pela noite a fora, até fazer amor com o olhar,
perdermo-nos dentro. se ficares podemos até atravessar o limir do próprio pensamento. conta-me como era o teu mundo antes. diz-me ao ouvido, assim ninguém mais ouve. mas fica, pelo menos por hoje...