é já outro dia, e chove
no lugar amplo do mundo
e eu entre o choro dos elementos
e eu entre o choro dos elementos
ainda não te disse tudo
apesar de todas as palavras já ditas
que poderás multiplicar por manhãs
tardes e noites infinitas
está a chover sobre a cidade
como ontem chovia na minha serra
e eu agarro a chuva, essa constância fria e bela
e ponho-a na cerca deste poema
um rumor de rio, um ondear de brisa
um rimar marinho, a voz surda da ventania
e escrevo-te como se eu fosse um beiral
ou uma casa virada para o teu olhar
e a tua sombra molhada negra e fria
sob a chuva em mim visse um lugar
chove e já não tardas a vir
no nosso leito a chuva cresce
ensopa-nos o quarto esta humidade este silêncio
a noite fresca de rosas e de vésperas, sentes?
sempre que vieres a chuva investe
o mundo fecha-se no coração das árvores
e as palavras são como ramos quebrados
frágeis de hastes e de verdades
coisas que a chuva verga e a voz segreda
no mais profundo murmúrio destes versos
pensar-te sob a chuva é ter como tecto o teu corpo
e deixar que o mundo escorra para lá do nosso abraço...
apesar de todas as palavras já ditas
que poderás multiplicar por manhãs
tardes e noites infinitas
está a chover sobre a cidade
como ontem chovia na minha serra
e eu agarro a chuva, essa constância fria e bela
e ponho-a na cerca deste poema
um rumor de rio, um ondear de brisa
um rimar marinho, a voz surda da ventania
e escrevo-te como se eu fosse um beiral
ou uma casa virada para o teu olhar
e a tua sombra molhada negra e fria
sob a chuva em mim visse um lugar
chove e já não tardas a vir
no nosso leito a chuva cresce
ensopa-nos o quarto esta humidade este silêncio
a noite fresca de rosas e de vésperas, sentes?
sempre que vieres a chuva investe
o mundo fecha-se no coração das árvores
e as palavras são como ramos quebrados
frágeis de hastes e de verdades
coisas que a chuva verga e a voz segreda
no mais profundo murmúrio destes versos
pensar-te sob a chuva é ter como tecto o teu corpo
e deixar que o mundo escorra para lá do nosso abraço...