domingo, 25 de novembro de 2007

baila

dança coração, rima, renasce e rejubila
e ri das coisas impossíveis que vivias
chegada é a hora de sentir a vida
em alvoroço, ou em súplica
em serena empatia, liberta-te do corpo
dança contigo, dança com a alegria


acorda de um sono de cem anos
estiveste em seus olhos encantada
renasce agora pois eras cristal
em concha de pedra nacarada


fecha enfim o parêntesis que faltava
fecha estes lugares onde deambulaste
fecha a faina que levavas
a cruzada por um amor que não te queria
fecha a dúvida e a obsessão

tudo é simples se couber no teu olhar
tudo existe se couber na tua mão

e dança, dança, eternidade

sim, dançarei com a minha solidão
mas quero o momento presente
o sorriso aberto e evidente
e quero pintar nas nuvens
a lembrança do deserto e na fogueira
do poente incendiar meus tristes versos

serei livre e leve, baixarei
a ponte levediça
o meu castelo será aberto ao mundo
e eu serei uma manhã de margaridas
na beira do meu rio onde todos os barcos
são sonhos mudos

não mais entrarei na liça
que tantos anos me moveu
é preciso saber quanto e quando se perdeu
joguei tudo e abandono descalça o casino
empenhei tudo que tinha
só me resta bailar na madrugada
uma dança dura e felina
abandonar o manto, a noite, as estrelas
e a palavra purpurina

o meu amor foi fiel e há-de ser
joguei com a verdade e perdi
mas saio de olhar limpo e verdadeiro

calçarei os meus sapatos de cetim
e dançarei doravante só para mim
venha Janeiro, venha a saudade
venha o mar do medo ou do desejo
venha o mel do amor a meus lábios secos
e eu lerei os teus sábios conselhos
para ser feliz sem mais (te) amar
ao recordar teus idos beijos


What if? (ColdPlay)